[REVIEW] Westworld – The Original – S01E01

[REVIEW] Westworld – The Original – S01E01

Quando a realidade virtual se torna uma realidade física: qual é o limite da empatia?

Considerando o fim de Game of Thrones, a HBO resolveu investir em um novo e grandioso empreendimento de ficção para substituir o épico de sete temporadas estimando o mesmo sucesso de audiência. Westworld, série inspirada em um filme homônimo dos anos 70 escrito por John Michael Crichton.

Já prevista para acontecer por cinco temporadas, a atração teve sua estréia mundial no último fim de semana e conseguiu bater a mesma audiência de uma dos carros chefes da HBO, True Detective. Mas será que a série segura a onda do estrondoso sucesso mundial da saga dos Sete Reinos? Podemos ter uma ótima ideia a partir do piloto da série, não é mesmo?

Vem comigo porque esse dia foi louco…

O filme que inspirou a série teve o seu tema original mantido: trata-se de um parque de diversões que simula realidades paralelas com robôs ultra humanos, onde os visitantes podem fazer tudo o que quiserem, sem limites, O nome Westworld é inspirado no tema de um desses parques, que é o Velho Oeste. Durante a série temos dois principais núcleos. E é sobre eles que vamos falar um pouco.

O Parque é o local ambientado por robôs extremamente realistas e frequentado apenas por uma pequena parcela de pessoas que tem dinheiro para bancar o ingresso. Eles foram programados para viverem uma rotina repetida diariamente em uma cidade do Velho Oeste americano, com direito a Saloons, cavalos, bebida alcoólica, bandidos e até mesmo prostitutas. Nele conhecemos Dolores (Evan Rachel Wood), uma das protagonistas, que é designada a ser doce com todos os visitantes, o seu pai, Peter (Louis Herthum) e seu par romântico Teddy (James Marsden), conhecido pelos visitantes por ser um guia do parque. Através destes três personagens vamos desvendando os mistérios do funcionamento do sistema com os visitantes.

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Já o núcleo do laboratório, que é extremamente mais duro, nos apresenta o local onde durante 30 anos foi desenvolvido todo a tecnologia do parque. Lá é o local onde é feita a manutenção e atualização dos robôs, chamados de anfitriões. Com o esforço de toda a equipe, encabeçada pelo programador Bernard Lowe (Jeffrey Wright), o diretor de narrativas Lee Sizemore (Simon Quarterman) e a chefe de operações Theresa Cullen (Theresa Cullen), eles tentam controlar os experimentos do já idoso Dr. Robert Ford (Anthony Hopkins), idealizador de toda a tecnologia aplicada no parque, que ainda está em trabalhando. Todos temem que os andróides possam eventualmente sair do controle por estarem cada vez mais realistas e raramente apresentam falhas graves. Neste núcleo fica claro que existem diversos interesses diferentes de todas as partes e que somente isso já bastaria para a trama ser bombástica.

Se você ainda não assistiu, deve imaginar como é difícil condensar tudo isso em tão pouco tempo. Sim, é difícil mesmo. Apesar de tanta informação, o tempo aplicado no primeiro episódio é fantástico, revelando partes muito importantes do plano de fundo da história de uma maneira interessantíssima. No entanto, é uma leve pincelada em um universo tão complexo e isso talvez afete um pouco a profundidade dos personagens. Existem muitos outros que eu não descrevi no texto para não recheá-lo de spoilers e que eu estou morrendo de vontade de analisar. Bom, tenho todo tempo que quiser daqui pra frente para fazer isso.

Referências por todos os lados?

Primeiro é bom saber que o criador de Westworld é o mesmo de Jurassic Park, Michael Craton. Isso só reforça que o tema parque não é uma novidade, mas sim uma ideia da mesma cabeça que adora destruir os próprios paraísos.

Westworld tem algumas coisas muito interessantes e pode na verdade ter sido a história inspiradora de muitos artistas, já que o filme original é de 1973. A primeira é o crossover dos gêneros faroeste e ficção científica – veja Cowboys & Aliens (2011) – ainda é um grande desafio por suas diferenças gritantes. A série promete nas outras temporadas ter outros parques temáticos, então veremos mais estilos misturados nos próximos anos.

Podemos ver claras referências trocadas entre Westworld e Inteligência Artificial (2001), Eu, Robô (2004) e outras histórias do Isaac Asimov, assim como os animes Ghost in The Shell (2001), Chobits (2002), a série Black Mirror (com nova temporada para sair este ano) e outras histórias que falam de maneira explícita como acontece a interação humana com androids. Citando apenas alguns exemplos de histórias do gênero que eu AMO. Tem mais alguma referência? Conta pra mim nos comentários.

Como Westworld conversa com a nossa realidade?

Apesar de ser uma história “reciclada”, Westworld é mais atual do que nunca. A relação entre nós e uma tecnologia excessivamente humanizada é cada vez mais real. E, definitivamente, os últimos anos vem resgatando e criando cada vez mais histórias com robôs, tentando prever como será o futuro.

Algo que não me lembro de ter aparecido tão próximo a nossa realidade e que é aplicado na série são as impressoras 3D. A tecnologia da série é muito parecida com a da vida real e isso dá um combo a mais de pavor ao telespectador mais antenado. A abertura vai mostrar isso em todos os episódios e não vai nos deixar esquecer disso.

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O primeiro episódio mostra de maneira contundente os significados de desumanização e objetificação. Afinal de contas, pode-se fazer o que quiser com os robôs, já que eles não são humanos. A HBO, mas uma vez, arrisca-se a falar sobre abuso sexual com uma das personagens mas, felizmente, não mostra detalhes. Para mim fica claro que é um instrumento para trabalharmos a empatia com estes robôs que em breve irão se revoltar, como uma boa história de ficção científica pede. Qual é o limiar da ética neste caso? E se fosse ao contrário? Uma questão boa de se fazer nesses tempos.

Falo que esta é uma boa questão a se fazer pois estamos cada vez mais perto desse cenário se tornar realidade. Pensa nisso amigão. Se nós não tivermos contato com isso, pode ser que a próxima geração já tenha. Isso é belo ou assustador?

Acho que a série vai ajudar a gente a descobrir.

Hoje tem o segundo episódio que promete muito caos. Dá uma olhada nesse preview:

https://www.youtube.com/watch?v=xipMM7LPN_w

Gostou? O episódio será exibido mundialmente hoje à noite pela HBO.

Acompanhe mais posts sobre a série dando like na fanpage do blog! Até mais!

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