Hemorragia Auditiva — Parte 4

Música
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Hora de meditar profundamente com Sunn O))), Eyvind Kang e Aghast

Desde que terminei minha Pós Graduação no início de 2014 eu vinha enfrentando uns problemas bem sérios de insônia. Recorri a muitas coisas mesmo pra tentar enfrentar o problema, desde chás até a terapia, e venho notando uma melhora progressiva. Eu sofri um bocado, muitas vezes a ansiedade durante a noite era tão grande que as 3h30 da manhã eu estava sentada na cama completamente acordada. O baque físico foi evidente. Além da variação de peso constante eu ganhei olheiras e umas linhas de expressão que eu não tinha antes, mas as maiores marcas e avisos de que algo não estava bem mesmo foram de natureza psicológica.

Só a duas semanas atrás eu descobri algo realmente efetivo pra me fazer desmaiar na cama: meditação. Eu nunca vi muita graça na prática, achava totalmente dissonante da minha personalidade. Mas eu fiz algumas vezes durante a terapia para recuperar o foco e foi maravilhoso. Pesquisei um pouco como isso poderia me beneficiar antes de dormir e resumidamente se faz como está neste link. Uma das recomendações é uma trilha sonora específica pra prática, mas eu ouvi algumas coisas e detestei. Existe coisa bem melhor por aí pra ouvir. Desculpem aí os que curtem essa coisa zen, mas vocês já perceberam que não é comigo, né?

Então eu resolvi puxar na minha memória coisas que eu já tinha escutado por aí e resgatei duas coisas que eu conheço a muito tempo. Também peguei uma novidade depois de pedir ajuda no Twitter. Decidi compartilhar com vocês 😉


Sunn O))) — bassAliens

Por incrível que pareça o Drone/Doom foi uma das primeiras coisas que eu realmente curti quando eu comecei a me embrenhar no meio do Doom Metalno auge dos meus 17 anos. Eu já parti logo pra ignorância naquela época e oSunn O))) já era um nome bem forte mesmo entre os brasileiros que gostam de música experimental. Eu nunca me esqueço de que li uns relatos de gente que chegou a passar mal nos shows da banda por causa das frequências baixas durantes as músicas. Eu fiquei fascinada, ainda mais por não saber nem tocar um chocalho e não conseguir entender muito bem como pode ser possível uma coisa dessas.

De todo o trabalho da banda acho que minha faixa preferida é a linda bassAliens, uma faixa de apenas 23 minutos do disco White 2 (2004). Existe alguma coisa nessa música que facilita uma certa condição de concentração e transe, e funcionou muito bem das vezes que eu coloquei nos fones de ouvido pra meditar. Deu até um barato meio louco, mas provavelmente é uma situação criada pela minha mente já que 23 minutos de distorção alienígena é uma coisa muito dorgas mesmo.


Eyvind Kang — Virginal Co-ordinates

Essa dica aqui foi o migo @blackfabioink que me passou e eu inevitavelmente já coloquei pra escutar durante a meditação. Eyvind Kang é um violinista polivalente da turma excêntrica do alquimista musical John Zorn. Já fez parcerias até mesmo com o Sunn O))), que citei acima, pra vocês terem ideia de como o cara pode ir longe. Esse disco foi lançado pela Ipecac em 2003, conta com o Mike Patton nos vocais, foi gravado ao vivo na Itália e algumas resenhas dizem que é o trabalho mais acessível do cara. Um jazz com elementos angelicais e tribais, além de mantras embutidos o tempo todo. Interessante é quase ver desenhado de maneira linear as composições do Kang, ajuda bastante a meditação.

Aliás, desde 2007 eu tô descobrindo todo dia uma coisa nova sobre o Mike Patton. (eu tô fazendo um textão tão gigantesco sobre o novo cd do Faith No More que não termino nunca.) Tudo bem que é meio difícil desconectar alguns pensamentos com a voz do Patton no meio das músicas pois é um gatilho para vários outros sentimentos, mas a experiência de ouvir o cd todo foi um grande sucesso durante a meditação. Eu dormi ouvindo as últimas músicas e só acordei com uns gritos de uma faixa do Periphery que estava em seguida na playlist.


Aghast — Hexerei im Zwielicht der Finsternis

Saindo do céu para o inferno, quase literalmente. Esse projeto é uma das coisas mais horripilantes que já existiram e muita gente fica apavorada ao ouvir o Dark Ambient tétrico e místico das esposas do Fenriz (Darkthrone) e do Samoth (Emperor) — pelo menos eram na época — lançado logo em seguida a toda aquela loucura do Inner Circle na Noruega. O Aghast só existiu mesmo em 1995 e nunca mais lançou nada, e mesmo assim é memorável e provavelmente influenciou todo mundo que se aventurou no mesmo estilo depois.

Aí você deve estar aí se perguntando porque algo tão pesado está numa playlist de meditação de uma pessoa engraçadinha como eu. Na verdade eu acho esse cd lindo. ¯\_(ツ)_/¯ É uma atmosfera muito densa, e eu me sinto muito tranquila durante a audição, o que não faz muito sentido. E funcionou bem mesmo a noite e no escuro, mas o simples fato é que eu não tenho medo. Em especial a faixa Enter The Hall of Ice, que é a mais tranquila e tem aquela linha reta e repetitiva, ideal pra prática de concentração.


E você? Tem alguma música de meditação pra me indicar? Eu agradeço a colaboração. Espero que você pelo menos se divirta ou se indigne com as minhas escolhas pra tentar ficar com sono. Tenha bons sonhos ❤

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