Conheça o baterista de Black Metal que virou diretor de clipes da Madonna, Beyoncé e Lady Gaga.

Música
jonas åkerlund diretor

Jonas Åkerlund é um dos mais bem sucedidos diretores de videoclipes do mundo. Sua história tem uma origem improvável que pode se tornar o longa metragem que vai projeta-lo como diretor de cinema para o grande público. Continue lendo e saiba como tudo isso pode acontecer.

jonas åkerlund

Qualquer pessoa que já passou mais de meia hora na internet sabe como existe uma resistência absurda dos tradicionais roqueiros com a música popular que toca nas rádios e na TV. Não sei como é fora do nosso país, mas eu sei que aqui no Brasil os mais bitolados em estilos de música que eventualmente carregam ideologias como o rock não aceitam absolutamente nada que saia do script. Se no rock tradicional já existe uma grande resistência a outros estilos em geral, imaginem no meio do metal extremo. E claro, um dos extremos mais extremos é o Black Metal.

O Black Metal é um dos estilos de música menos acessíveis que existem. Pelo menos a ideia era essa no começo, quando os filhotes incendiários de uma banda chamada Venom fundaram o Inner Circle na Noruega dos anos 90, um assunto que inclusive merece ser post mais pra frente aqui no Contraversão. Pois é, o Venom faz parte da primeira grande geração do metal extremo, servindo de inspiração ao nome “Black Metal” por causa do disco homônimo de 1982.

O nascimento nas trevas

 

Algumas outras bandas também foram pioneiras no estilo, como por exemplo o Bathory, que foi um dos primeiros conjuntos a unir a mitologia nórdica ao black metal em suas músicas um pouco mais pra frente, em 1988. No início da história do grupo sueco, o agora falecido guitarrista Quorthon se juntou a dois amigos, o baterista Jonas e o baixista Freddan, e começou a ensaiar na garagem de casa. Aproveitou a oportunidade da pequena gravadora do seu pai e gravou uma demo para uma coletânea de bandas de metal escandinavas. O sucesso do single do grupo foi enorme e logo veio o convite para gravar o primeiro disco, mas seus amigos, o baterista e o baixista, pularam fora.

Alguns anos mais tarde, precisamente em 2014, o baterista da versão embrionária do Bathory contou em uma entrevista que uma das razões para pular fora do barco do sucesso iminente no cenário do metal extremo foi a timidez e o desconforto de ser observado durante apresentações ao vivo. Mas nem por isso Jonas desistiu de sua veia artística e começou a dedicar a outras atividades criativas, optando pelos bastidores e iniciando ali uma incrível carreira como diretor de vídeos.

Da frente do palco para os bastidores

 

O sueco começou a sua saga em 1988, quando fez o clipe Bewitched, do Candlemass, uma das mais tradicionais bandas de doom metal da história. O clipe é realmente uma coisa bem cafona do metal dos anos 80 misturada com muita atitude roquista e tudo muito dark, o que com certeza indica que ele já começou acertando na carreira.

Depois de alguns anos trabalhando em clipes de outros artistas suecos, um tal de Roxette cruzou o caminho de Jonas em 1993. Desde então, o trabalho do diretor foi tão apreciado pela banda que ele acabou criando 11 vídeos. Em 2006 fez seu último clipe para a banda, da música Wish I Could Fly.

Mas apenas no ano de 1997, após alguns trabalhos com Moby, o diretor conseguiu chamar a atenção mundialmente com o seu controverso e épico clipe de Smack My Bitch Up do Prodigy. Com a repercussão, este foi o primeiro vídeo indicado a quatro MTV Movie Awards, ganhando os de Melhor Música Dance e Vídeo Inovador.

O trabalho com o Prodigy chamou a atenção de uma das mais polêmicas divas do pop, Madonna. Ela apadrinhou Åkerlund, fazendo uma série de clipes antológicos de sua carreira como Music e American Life. O primeiro vídeo da parceria, Ray Of Light, foi premiado com um Grammy de Melhor Curta para um Videoclipe.

Desde então ele acrescentou em seu portfólio não só os mais diversos artistas do rock como Metallica, Ozzy Osbourne, U2, Rammstein, Primal Scream, Blink 182, Blondie, Jane’s Addiction, The Cramberries, Paul McCartney, Lenny Kravitz e outros, como também fez alguns dos clipes de maior repercussão das artistas do mundo pop, como Rihanna, Britney Spears, Pink, Christina Aguilera, Lady Gaga e Beyoncé. As duas últimas cantoras fizeram o multi premiado clipe Télephone sob a batuta do diretor.

O mix da simbologia oculta, da cultura trash e da indústria fashion

 

O estilo do diretor é um retrato de sua própria personalidade e paixões, intensamente colocadas nos seus trabalhos. Desde o início, Jonas traz para seus filmes momentos intensos e irônicos, glamurizando o controverso. Além do discurso fashion e a vida autodestrutiva na sarjeta, muitas de suas referências vem de símbolos ocultistas, sendo um dos diretores preferidos dos conspiracionistas que adoram analisar as teorias Illuminati na cultura de massas. Um ótimo exemplo que sintetiza o estilo do rapaz é este clipe censurado da Madonna, amplamente conhecido pelo tom crítico e imagens fortes de crianças vítimas da guerra.

De volta às origens, porém rejeitado pelos semelhantes

 

Åkerlund vem dando sinais que uma de suas maiores vontades é se tornar um diretor de cinema reconhecido. Ele também já se dedica a longa-metragens desde 2001 e atualmente está trabalhando na obra que tem um grande potencial projetá-lo no mercado internacional.

Ironicamente ou não, o diretor está desenvolvendo a um certo tempo a adaptação do livro Lords of Chaos, que conta uma versão de um jornalista sobre a história do Inner Circle, citado no início do post, e toda a sua repercussão midiática na Noruega da década de 90. Esta história é certamente uma das grandes sagas da vida real do heavy metal e ainda não foi registrada em forma de filme. Abaixo está a imagem da capa do livro escrito por Michael Moynihan e Didrik Søderlind.

Lords Of Chaos Livro Capa

Mesmo dirigindo clipes de diversas bandas de Black Metal e sendo um ex-membro do Bathory, a maioria dos músicos das bandas de que surgiram na época do Inner Circle repudiam a insistente tentativa de Åkerlund em produzir a adaptação, já que na cena norueguesa o livro é considerado uma obra sensacionalista que não retrata com fidelidade o que aconteceu entre os jovens envolvidos nos crimes e na formação de uma nova legião de fãs naquela época. Curioso, ainda mais se considerarmos que o estilo extremo é o berço criativo e ainda hoje o estilo musical preferido e referência de estilo pessoal do diretor.

Aguardamos ansiosamente mais uma adaptação da história de um movimento tão forte de contracultura. E você? Gosta do estilo do diretor? Conhece mais sobre ele? Conta pra gente nos comentários!

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