O Livro do Cemitério de Neil Gaiman

Literatura
The-Graveyard-Book-Neil-Gaiman

*Este texto foi publicado no Ambrosia no dia 02/08/2010

Hoje estou aqui pra falar de um dos meus autores favoritos e sua obra mais recente. Neil Gaiman, o inglês criador de diversas histórias cultuadas no mundo de contos fantásticos voltou as prateleiras brasileiras esse ano com o Livro do Cemitério. Em parceria mais uma vez com Dave McKean, que criou as ilustrações do livro, Gaiman apresenta ao público uma história cheia de bravura e sem medo do desconhecido.

The Graveyard Book

Inspirado pela história original de Mogli, O Livro da Selva de Rudyard Kipling, e por seu próprio filho, Gaiman começou a conceber a idéia 20 anos atrás sobre Ninguém Owens. Ele sempre teve o hábito de passear entre os assuntos de ordem sobrenatural, e em O Livro do Cemitério não é diferente.

A narrativa começa pesada: A família de Nin é assassinada por um misterioso homem chamado Jack. O garoto, que é um bebê ainda, é hiperativo e esperto, e por uma conhecidência consegue escapar das mão do assassino, evitando um trágico final a sua vida. Ele escapa de sua casa e acaba parando em um cemitéiro abandonado da cidadezinha, e lá é acolhido por uma família de fantasmas. Claro que isso não corre de uma meneira simples, mas é decidido por forças maiores. A partir deste ponto vemos toda a vida de Nin dentro o cemitério até a adolescência, como é a experiência de ser criado por pessoas que viveram em outras épocas, como é lidar com criaturas fantásticas e o que ele deve fazer quando finalmente tentar viver no mundo a que pertence: o mundo das pessoas vivas, que é pior que o mundo dos mortos para ele.

Apesar de aparentemente estar tudo bem, o homem que matou a sua família continua a espreita aguardando notrícias e uma chance de iniciar o que começou, e Nin tem que encarar o medo real pela primeira vez.

Neil Gaiman acerta em quase tudo criando uma história leve, mesmo sendo em um ambiente sombrio e que provavelmente deixaria qualquer humano com os cabelos brancos. O mais legal é como o psicológico do garoto é realmente atípico por estar em condições “selvagens” e como a percepção das coisas que não conhecemos pra ele é muito mais simples. Um outro fato de que me lembrei é o como o aspecto alegre dos mortos me lembrou Tim Burton: é extremamente divertido e longe do que todos nós pensamos ser caso existisse.

A única coisa que me irritou mesmo foi o desfecho: é tão óbvio que é aquilo que vai acontecer. Fica evidente. Talvez seja a minha implicância recente com a preguiça de Neil Gaiman não mudar de assunto na hora de escrever. Mas acho que pra maioria das pessoas deve ser muito legal, mas quem conhece o estilo dele sabe qual vai ser o desfecho. Acho que é cisma pessoal não achar esse livro tão genial assim, afinal The Graveyard Book foi um dos livros mais premiados na carreira do Gaiman e não li nenhuma crítica pesada sobre.

Dave McKean em O Livro do Cemitério

Mas devo dizer que as ilustrações do Dave McKean são maravilhosas e conversam com o momento da história e o texto. Um trabalho de sombra e luz tão bonito e traços cheios de personalidade. Tava com saudade de ver ilustrações assim do McKean, que sempre trabalhou muito bem com manipulação de imagem.

Então, se você está na dúvida, leia. É sim uma aventura gostosa de ler, apesar de eu achar que existem momentos previsíveis. Mas o universo é rico, e o perfil psicológico do protagonista é deveras interessante.

Comentários

9 thoughts on “O Livro do Cemitério de Neil Gaiman

  1. Larissa, vc já leu "Deuses Americanos" do Gaiman? Gostaria de saber sua opinião a respeito do livro.

    A primeira parte do texto tem muitos erros de digitação, o que não é comum nos seus textos…digitando com pressa hein rsrs?

    Não leve a mal, só estou zoando.

  2. Corto, quem sabe O livro do Cemitério não seja essa história?

    Acho que os críticos não fizeram críticas mais pesadas, porque, como você destacou, eles já conhecem o Neil Gaiman e sabem o que vai rolar no final, e desce tudo redondinho no gosto deles.

    Mas gostei foi da sutil e pesada crítica que você fez ao transformar o Gaiman em um "prego". Os dedos traduziram sua irritação interior…

    Parabéns pelo blog!

  3. Neil Gaiman é sempre Neil Gaiman, amo esse escritor desde o bendito dia que vi Sandman numa livraria e me perguntei: What a hell..?
    Viciei…
    Li toda a saga e comecei a buscar mais e mais, peguei dois livros de contos emprestados de um amigo (Tão nerd qnt eu!) e descobri "Coisas frágeis" -> fanástico XD

    Bom agora que vc disse do cemitério só me resta caçar de alguém ou passar mais tempo na livraria rsrs

    Vlw pela dica (espero que o filme do Sandman seja tão bom qnt a HQ)
    Bjksss e boa semana

  4. Gosto pra caramba do Neil Gaiman, é um dos meus escritores favoritos,em livros ou quadrinhos. mas geralmente fico com a impressão de que suas histórias giram sempre em torno de temas repetidos. não sei se isso é ruim, mas ia ser legal ele tentar sair um pouco do automático. gostei de lugar nenhum, acho que mais pelo lado de ser estudante de arquitetura e a atenção que gaiman dedica aos "não-lugares" na história.

  5. Minha querida Larissa, não esqueça que o livro foi escrito para um público mais jovem que o habitual de Gaiman. É um livro para crianças. Sendo assim, é natural que a linguagem e mesmo os recursos literários não sejam os mais avançados. Ainda assim um livro que diverte adultos. Gostei um bocado.

    Seu Corisco.

    P.s. você ainda me deve um texto, lembra? ou um "eu já"… 😉

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