O Labirinto do Fauno e a receita perfeita do equilíbrio

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Podem me chamar de louca, atrasada, e podem me perguntar em que mundo eu vivia, mas eu não havia assistido O Labirinto do Fauno ainda. Pois é. Esse filme é de 2006 e eu só fui assistir 4 anos depois, e nesses horas é que a gente se arrepende de não ir mais ao cinema e não deixar a TV a cabo passando filmes em looping mais tempo. Mas fiquem tranquilos, pois fiz uma lista de filmes que de vou assistir e estou tirando o atraso. Ontem por exemplo vi Donnie Darko 😀

Eu sempre ouvi coisas lindas sobre esse filme e foi um dos primeiros da minha lista. E não é a a toa.

Guilherme del Toro tem um timing e uma sensibilidade inexplicável ao contar a história de Ofélia (Ivana Baquero), uma menina que vive entre os contos de fadas e a dura vida no meio de um regime fascista em 1944. Ela, que perdeu o pai, se vê presa a hostilidade de seu padrasto, um coronel muito cruel chamado Vidal (Sergi López), que se casou sua mãe e passa por uma gravidez de risco. Toda a família mora num reduto que está prestes a ser atacado por militantes de esquerda, e há uma conspiração dentro e fora da casa onde o pequeno exército fascista está instalado. Ao mesmo tempo, dentro de um labirinto próximo a sua nova casa, Ofélia conhece um Fauno (Doug Jones) que revela a sua real origem: uma princesa de um submundo que fugiu de seu reino para conhecer o mundo dos humanos. Para que o Fauno acredite que ela é a princesa, a garota tem que passar por uma série de provas para atestar sua bravura e poder retornar ao mundo subterrâneo.

O que me deixou fascinada nesse filme foi a beleza do mundo da fantasia equilibrada com a crueldade da realidade. Tudo tem uma ligação tão próxima que até as metáforas do mundo fantástico são sobre o mundo real. Tudo isso entretendo o espectador sem deixar nenhum buraco. Além disso as fortes críticas políticas sobre a época aparecem diante dos nossos olhos sem piedade alguma, inclusive é bem mais cruel do que você poderia esperar. Mas o final, meu amigo, é aberto a tantas interpretações que ninguém fica insatisfeito e cada um escolhe o que desejar, de forma tão linda e sutil que chega a marejar os olhos. Incrível.

Uma das coisas que estranhei a principio foi o fato do filme ser todo em espanhol, e eu não estava muito acostumada com isso no início, mas é totalmente fiel ao contexto e eu acho isso muito importante também. O filme ganhou três Oscars: maquiagem, fotografia e direção de arte. Claro que tem todos os méritos, as maquiagens são sansacionais mesmo e tudo, realidade e fantasia, tem um ar sombrio tão lindo, tão bem colocado que seria impossível negar o Oscar.

Então se você quer se emocionar, assista sem pensar duas vezes. Uma obra feita pra reflexão, pra sonhar e pra ver mais de uma vez.

Comentários

7 thoughts on “O Labirinto do Fauno e a receita perfeita do equilíbrio

  1. Adorei a resenha, Larissa! Retrata muito bem o que se extrai do filme. Quando assisti tive muito medo, porque na época ainda não tinha estômago pra esses filmes, sei lá. Tem umas partes meio violentas de se ver. Mas é realmente fantástica a crítica e a arte. Parabéns pelo texto. Beijos

  2. Adorei a resenha!
    Esse filme é maravilhoso… A fotografia, os efeitos, o enredo… É lindo demais!
    A única coisa que estranhei também foi a língua, também não estou acostumada com filmes em outras linguas hehe, mas vale total a pena ver né!

    Beijos

  3. Puxa, eu adoro esse filme!
    Tô precisando rever.

    Adoro filme espanhol, ultimamente eles estão muito bons! Acho muito interessante ter a questão do fascismo do regime do Franco na história. É a cicatriz da história recente da espanha. Guilhermo del Toro é um de meus diretores/produtores preferidos.
    Esse filme é um escape, uma fuga da realidade tão cruel.

    Bjs!

  4. Labirinto do fauno é maravilhoso, um dos meus filmes favoritos. Ele é tão cru e direto que realmente te deixa desarmado. E ai, minha cara, o cinema realmente consegue trabalhar sua magia.

    Mas e ai, você falou que assistiu Donnie Darko. Eu também o vi bem recentemente. O que você achou?

  5. Também demorei pra ver o filme. Era pra ter visto no no Festival do Rio em 2007, mas só consegui assistir quando passou na TV.

    Concordo sobre o equilíbrio perfeito do filme. Del Toro tem uma habilidade de transitar entre esses dois mundo, o real e o fantástico, que poucos tem.
    Senti uma metáfora profunda ao cristianismo no final.

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