Eles Vivem, filme dos anos 80, ainda é uma crítica atual sobre manipulação de massas

Cinema
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Eles Vivem, filme de John Carpenter, é um sci-fi tosco dos anos 80 que carrega muitas verdades de como as coisas funcionam na nossa sociedade. Mas, se esta película tem quase 30 anos, por que ainda somos feitos de idiotas pela propaganda e veículos de comunicação?

Que fase estamos vivendo no Brasil e no mundo, queridos amigos. Estamos em um momento político completamente caótico, em que esquemas de corrupção estão tomando um banho de sol e a política FlaxFlu está mais forte do que nunca, beirando a consequências inimagináveis como um impeachment e uma economia desastrosa. Mesmo com todo esse cenário ainda é fácil perceber como nós baixamos as nossas calças por vontade própria para a indústria do entretenimento e do consumo. Eu mesma sou completamente louca por cultura pop, mas todo o dia tento viver desconstruindo aquilo que eu mesma vivo.

Chegou a hora de fazer isso mais uma vez falando de um filme que bate fortemente nesses aspectos.

Eles Vivem (They Live) é do diretor John Carpenter e tem a mesma idade que eu. Lançado em 1988, o filme tem uma estrela inusitada: o ator Roddy Pipper, um tradicional lutador de wrestling, falecido em 2015. Pipper interpreta um homem sem nome, chamado de Nada nos pós créditos do filme. Ele é literalmente um nada, uma pessoa sem bens materiais, sem história, sem significado e sem importância.

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Vindo do interior dos Estados Unidos para um dos centros nervoso do país, a emergente Califórnia, ele consegue emprego na construção civil. Sem ter onde morar, um de seus colegas de trabalho lhe oferece abrigo em uma comunidade muito pobre que se assemelha com uma favela, no subúrbio da cidade. No entanto, Nada fica intrigado com uma constante movimentação de uma igreja do outro lado da rua e acaba descobrindo um grupo secreto que tenta derrubar o sinal de TV para passar uma mensagem enigmática e apocalíptica. A partir desse momento ele e seu colega, John, embarcam em uma aventura de rebelião e vingança, sem volta. Quando colocam óculos escuros que foram elaborados pelo grupo revolucionário em um laboratório clandestino dentro da igreja, eles conseguem ver a verdade sobre o mundo em que vivem: repleto de aliens que manipulam os humanos para sugar os seus recursos naturais. Para eles é impossível viver o conformismo e o sonho americano de antes.

Nós ainda vivemos uma relação de serventia aos que controlam os meios de comunicação de massa

Meu querido leitor, me diga: Ainda não vivemos nessa realidade para ganhar um dinheiro para gastar com pequenas coisas que fazem pessoas muito ricas ficarem mais ricas? Não estamos todo dia dando poder de fogo para quem tem mais dinheiro para manipular a nossa mente e as nossas vontades? E tudo isso acontece sem sequer percebemos.

A propaganda e o marketing social está cada vez mais sutil em tempos de redes sociais e isso reforça ainda mais a cultura de ilusão que já existia nos 80, quando Eles Vivem foi lançado. Já era interessante perceber que essas sutilezas de manipulação de informação já foram retratadas através de revistas no filme, já que nenhuma página das que foram folheadas por Nada em uma banda continham verdades, apenas informação manipulada.

 

Isso te lembra o Brasil hoje em especial, não é? Até que ponto você deixa as revistas e redes sociais te influenciarem sem questionar quais são as reais intenções delas?

Como o indivíduo tem o poder de transformar o seu meio através da verdade

“Here is the brutal fucking truth”, diria Frank Underwood. Encarar a verdade nua e crua é uma das partes mais doloridas na trajetória de qualquer ser humano que não vive em uma sociedade e nem tem uma mente livre.

A curiosidade de Nada representa uma parte de nós que está inconformada hoje em dia com tudo o que acontece nesse mundo maluco e que deseja, mais do que tudo, entender as coisas com profundidade sem pensar muito nas consequências. Quem busca a verdade sabe que, mesmo com toda a possível dor a ser causada, ela é a única que liberta.

No entanto o seu companheiro de trabalho, John, insiste em se agarrar as coisas que o prendem nesta falsa realidade. Ele fala o tempo todo que “tem uma família para cuidar”, apesar de não estar nem morando na mesma cidade em que eles, e que por isso não quer se meter em confusão. Ele não quer colocar o óculos e ver essa tal da verdade. Ele representa o nosso lado conformado e que aceita as coisas ruins do jeito que estão, afinal de contar mudar dá problemas e trabalho demais.

 

Pra mim, a luta entre os dois, na qual Nada praticamente obriga John colocar os óculos para ver a verdade, é uma maravilhosa analogia a resistência mental que temos a mudanças de padrão, a enxergar os verdadeiros problemas em torno de nós e, principalmente, o medo de assumir a responsabilidade do poder de transformação que existe na nossa essência. Uma das minhas partes preferidas do filme.

O poder está nas mãos de quem escolhe a verdade ao invés do conformismo.

Após toda uma grande movimentação para destruírem a seita secreta que desenvolveu os óculos de Nada e John, que se movimentava clandestinamente para desmascarar os aliens e contava com traidores infiltrados entre os membros, o filme revela todo o esquema secreto dos infiltrados: como eles conseguem se mascarar como humanos comuns, como funciona a tecnologia deles e quais são as suas reais intensões – no caso parasitar o mundo até extinguir seus recursos naturais.

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A dupla ousada consegue se infiltrar na sede da rede de TV que secretamente espalhava o sinal que iludia a humanidade, destruindo o mesmo. De fato uma das melhores partes do conceito do filme. A comunicação e tecnologia usada a favor daqueles que querem o mal do coletivo sendo explodido por pessoas simples e desacreditadas pelas classes dominantes mostram aqui a força da sobrevivência é maior do que tudo. As ações de poucas pessoas conseguiram desmontar toda uma ilusão, revelando a real face do mal. Pena que isso provavelmente custou a vida destes heróis. Dá até uma esperança, apesar do custo ser alto.

A revolução já foi televisionada, será que tem que ter remake?

Não sei. Eles Vivem é um clássico a frente de seu tempo e obviamente não está velho, mas a qualidade tecnológica poderia ser melhor. Talvez fosse um ótimo filme de efeitos especiais, mas desconfio que perderia boa parte de seu apelo numa versão dos anos 2010, especialmente pela mania do pessoal da indústria do cinema gostar de efeitos especiais desnecessários.

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Uma boa saída seria desenvolver uma sequência ou um outro filme no mesmo mundo de Eles Vivem, como o que aconteceu depois da antena ser destruída ou um outro ponto de vista sobre a mesma história. Não estragaria a obra original pelo menos. Funcionou muito bem com Mad Max e deveria ser usado com mais frequência.

Em todo caso, o filme vale a pena. Ele está disponível completo no Youtube em suas versões em inglês, legendada e dublada. Assista especialmente para desenferrujar o seu cérebro e questionar a própria existência.

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